O novo papel dos assessores de investimento em um mercado que cresce, mas ainda não evoluiu

Nos últimos meses, escrevi muito sobre a transformação do papel do assessor de investimentos.

Mas, depois de dezenas de conversas com profissionais e líderes de mercado, cheguei a uma conclusão: o problema não está na falta de oportunidade. Está na falta de maturidade.

O número de assessores segue crescendo de forma impressionante — o Brasil já ultrapassa 25 mil profissionais ativos, segundo a ANCORD.

Mas o crescimento da base não significa evolução do mercado.

Ainda vivemos um ambiente em que as metas superam o método, o produto supera o propósito, e a urgência supera o entendimento.

E é exatamente sobre esse novo momento que eu vou falar na newsletter de hoje. Continue a leitura.

O mercado acelera, mas não amadurece

O relatório Emerging Trends in Wealth Management 2025 (MSCI) mostra que 73% dos investidores de alta renda hoje buscam personalização por valores e propósito, não apenas por performance.

No entanto, quando analisamos as carteiras médias de clientes assessorados no Brasil, a maioria ainda está concentrada em produtos padronizados, empacotados por bancos e sem visão de planejamento patrimonial.

É a contradição do nosso tempo: o investidor evoluiu, mas o mercado que o atende não acompanhou.

A indústria ainda premia quem “fecha o mês”, não quem abre a cabeça do cliente.

E o resultado é um exército de profissionais ocupados, mas poucos realmente estratégicos.

O assessor que entende o jogo de gerações

O UBS Global Family Office Report 2025 mostra que mais de 60% das famílias empresárias estão passando ou se preparando para transições de sucessão nos próximos cinco anos.

E apenas 22% dizem ter um assessor que entende de sucessão e governança.

Isso diz muito.

Porque o cliente não quer um “gestor de carteira”. Quer alguém que saiba traduzir o impacto de uma decisão de investimento em continuidade, liquidez e controle familiar.

A maturidade profissional do assessor está em conectar o presente com o que virá.

E essa competência — unir finanças, sucessão e estratégia — não se aprende no treinamento de banco.

Se aprende estudando o comportamento das famílias, o ciclo dos negócios e a psicologia das decisões.

O novo valor do assessor de investimento

O CFA Institute (2024) já identificava que o maior diferencial competitivo dos assessores de alta performance no mundo não era técnico, mas comportamental e estratégico.

Esses profissionais:

Entendem planejamento patrimonial.

Possuem certificações complementares (CFP®, CEPA, STEP).

E adotam um modelo de remuneração recorrente, baseado em consultoria e não em transação.

São assessores que não vendem produto. Vendem raciocínio.

E é justamente isso que o mercado brasileiro ainda não entendeu.

A próxima década não será dominada por quem sabe mais sobre produtos, mas por quem sabe orquestrar pessoas, estruturas e objetivos.

O desafio de 2026: parar de vender e começar a pensar

O mercado financeiro está cheio de profissionais que sabem vender.

Mas 2026 vai recompensar quem sabe pensar.

Pensar sobre o impacto do que faz.

Sobre o que realmente significa gerar valor para uma família.

Sobre o tipo de profissional que quer ser: o que repete ou o que constrói.

O amadurecimento do mercado não virá dos bancos, das corretoras ou das instituições.

Vai vir dos profissionais que decidirem crescer antes de serem obrigados a isso.

Se você é assessor de investimentos, 2026 não vai te perguntar quanto você vendeu. Vai te perguntar o quanto você evoluiu.

Fica aqui minha dica e alerta!

A seguir, deixo alguns links úteis para se aprofundar nesse tema e evoluir enquanto profissional.

Para aprofundar a leitura:

Sobre mim

Juliano Pinheiro, estrategista independente de Wealth Management

Sou especialista no Mercado Financeiro, Ph.D em Finanças, professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais e autor do livro: Mercado de Capitais.

Além disso, possuo mais de três décadas atuando como executivo no Mercado Financeiro, tenho grande expertise na liderança e gestão em Investment Banking, Asset Management e Wealth Management em renomadas instituições financeiras no Brasil e exterior. Atualmente, tenho foco na área de Planejamento e Gestão de Patrimônio da Família, a qual é a base para a segurança financeira, realizações de sonhos e construção de um legado duradouro.

Quando estiver pronto(a), eu posso te ajudar de algumas formas:

  • Estratégia personalizada para perpetuação de grandes fortunas
  • Planejamento patrimonial
  • Organização Patrimonial centralizada e facilitada
  • Serviço de aconselhamento com visão 360º do patrimônio
  • Estruturas Onshore e Offshore