Você sabia que a atividade do gestor de patrimônio familiar ainda não está autorregulada no Brasil? Por isso, não há uma certificação específica para a atuação desse profissional, também conhecido como private banker, ou wealth mananger. Contudo, na prática, eles precisam se certificar para serem reconhecidos no mercado e entre as principais certificações destacam-se a CFP, da Planejar, e o CEA, da ANBIMA.

Porém, além da certificação, esse profissional precisa ter uma bagagem extensa e muita experiência que o condicionem a realizar a gestão de grandes fortunas com excelência. Se você é um profissional da área financeira que tem o desejo de atuar como gestor de patrimônio familiar ou se você está buscando esse profissional, é importante se atentar para as questões que apresento neste texto.

A primeira questão diz respeito ao certificado mais utilizado e aceito por instituições financeiras, mas não obrigatório, que todo gestor de patrimônio familiar deve, ou deveria, ter. Trata-se do Certified Financial Planner (CFP), que é uma certificação estadunidense, também aplicada no Brasil, pela Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar).

O CFP é uma certificação reconhecida internacionalmente e muito bem vista pelo mercado, por isso, conseguir se certificar não é tarefa simples. É preciso que o profissional realmente entenda de gestão de grandes fortunas. Além disso, há alguns pré-requisitos para o candidato se submeter ao exame. Ele precisa ser graduado em uma instituição reconhecia pelo MEC e comprovar experiência em relacionamento direto com clientes pessoas físicas.

A comprovação profissional deve ser apresentada em uma das seis áreas que formam o exame. São elas: planejamento financeiro e ético, gestão de ativos e investimentos, planejamento de aposentadoria, gestão de riscos e seguros, planejamento fiscal e planejamento sucessório. Caso o profissional ainda não tenha a experiência exigida, deverá, primeiro, trabalhar, no mínimo três anos (sem supervisão) em uma das áreas acima citadas, ou um ano, se o trabalho for supervisionado. Além da exigência de experiência na hora de se submeter ao exame, também é necessário muito conhecimento sobre a área em questão.

A segunda questão diz respeito à gestão de recursos ou à montagem da carteira. No mercado, ainda não está claro para muita gente o escopo de atuação do gestor de patrimônio familiar. Isso porque, enquanto funcionário de uma grande instituição financeira, atuando como private banker ou wealth mananger, esse profissional vai atender e assessorar o cliente em suas necessidades de constituição e acompanhamento de seu portfólio de investimentos. Porém, ele não vai fazer a gestão dos recursos propriamente dita. A gestão será realizada pela área de gestão do banco conhecida como Asset Managent, onde os profissionais precisam ter a certificação CGA, da ANBIMA, e ser autorizados pela CVM.

Quando o gestor atua por meio de um Family Office, a questão é um pouco mais complexa. O cliente é atendido por um agente autônomo de investimentos, que possui a certificação da ANCORD e a certificação CFP. Ele, por sua vez, passa as informações do cliente para um gestor com a certificação CGA e autorização da CVM, que será o responsável por criar estruturas próprias ou terceirizá-las, por meio da montagem de carteira, com a combinação de estruturas de terceiros.

Destaca-se que participar de palestras, cursos e ter contato com profissionais experientes são boas escolas e caminhos interessantes para se tornar um dos profissionais mais bem pagos da área de finanças. A faixa salarial de um private banker ou wealth mananger pode variar de R$11 mil a R$35 mil.

Dessa forma, tanto a certificação, como a experiência são extremamente importantes para garantir a segurança do cliente, que deseja ter seu patrimônio bem gerido e sem qualquer tipo de inconveniente. Um gestor despreparado pode, por exemplo, cometer erros graves ou não saber resolver determinados tipos de problemas.

Ficou interessado? Mande suas dúvidas que terei o maior prazer em responder.

Juliano Pinheiro.