Organizar a gestão do patrimônio, garantir seu retorno financeiro e proporcionar tranquilidade e eficiência na sucessão são alguns dos principais objetivos da gestão profissional de grandes fortunas familiares. Há no mercado financeiro um profissional especializado nesta função, o gestor de patrimônio familiar, ou wealth manager. Porém, algumas famílias ainda podem optar em selecionar um familiar para fazer esse trabalho, mas será que é a melhor escolha?

Em primeiro lugar, as famílias costumam crescer mais rápido que as empresas e quem nunca ouviu falar de casos em que todo o patrimônio de um avô rico tenha se ruído com a má gestão dos filhos e como consequência, ficaram pobres os netos? É para que casos assim não aconteçam que as famílias devem ser perguntar, e se preocupar, sobre como seus negócios e patrimônios irão se perpetuar por gerações. Mas, esse trabalho deveria ficar a cargo de um membro da família ou de um profissional?

Ter um familiar na gestão de todo o patrimônio pode apresentar vários dilemas, entre eles o peso da tomada de decisão, visto que a falta de expertise pode levar o familiar a cometer falhas graves na gestão dos recursos; a falta de liberdade pessoal, uma vez que o familiar estará muito ocupado cuidando do patrimônio de toda a família; e o próprio comprometimento das relações familiares, que podem se tornar conflituosa.

Família deve ser tratada como uma família e o negócio como um negócio

A grande questão é que, muitas vezes, os familiares estão ocupados em gerenciar suas carreiras e os negócios da família e pouco tempo lhes restam para pensar em investimentos. Há também a falta de conhecimentos técnicos para fazer essa gestão, os quais são comuns para os gestores experientes, acostumados a gerir grandes fortunas no Brasil e no exterior.

Dessa forma, o foco dos familiares deve estar no desenvolvimento dos negócios e não pode ser desvirtuado para o desenvolvimento do patrimônio familiar, trabalho que cabe, com mais profissionalismo, ao wealth mananger. Além disso, ainda que algum familiar queira cuidar da gestão do patrimônio familiar, será que os demais membros da família ficariam satisfeitos? Ou, será que ele mesmo se sentiria 100% confortável nessa posição?

Outro ponto que também deve ser pensado é sobre os relacionamentos familiares na hora de realizar a gestão do patrimônio. Administrar a família é muito diferente de administrar uma empresa e o mesmo acontece na hora de fazer a gestão do patrimônio familiar. As decisões sobre investimentos tomadas pelas famílias também são diferentes daquelas tomadas pelos executivos de uma empresa. E não se pode misturar negócios e família.

É por isso que deve haver a separação da gestão dos ativos pessoais da gestão dos ativos da empresa, com o objetivo de manter confidencialidade e própria segurança da família. Assim, o que seria interessante é eleger um ou dois membros da família que possam estar mais próximos ao profissional que irá fazer a gestão do patrimônio, com o intuito de acompanhar mais de perto e suprir de informações esse gestor para que seja feito o melhor planejamento.

Com os recursos familiares bem geridos, os membros da família se ocupam de suas carreiras e em consolidar o capital intelectual, humano, social e financeiro. Assim, podem focar no desenvolvimento dos negócios, com harmonia entre todos e a garantia da perpetuação do patrimônio.

Juliano Pinheiro