No último texto, falei sobre o que é preciso para que um gestor de patrimônio familiar, o wealth mananger ou private banker, se torne apto para atuação profissional. Mas, como não mencionei seu perfil, ficaram algumas dúvidas. Assim, espero sanar todas elas, mas fico a disposição para responder qualquer pergunta sobre o assunto.

Primeiramente, o gestor de patrimônio familiar – como já mencionei em texto anterior – é um conselheiro fiel. Ou seja, ele ajuda a família nas mais diversas questões sobre a gestão de seus recursos. Ele proporciona maior controle sobre o portfólio como um todo, isto é, os vários investimentos da família, e garante maior comodidade a seus membros.

Esse profissional também proporciona acesso à forma institucional de investimento, que é mais seguro, rentável e acessível (para os gestores). Ele ainda se dedica por mais tempo à gestão do patrimônio da família e profissionaliza a escolha dos melhores bancos, produtos e estrutura legal. É, por isso, que consegue prover redução e controle de custos em todos os níveis do investimento.

Mas, qual o perfil ideal desse gestor? Um gestor de banco, que tem uma grande infraestrutura como suporte, mas pouca autonomia para a entrega de soluções? Ou um gestor independente, mas com uma infraestrutura menor e que utiliza parcerias para a entrega de valores? Já sabemos que é necessário, mas não obrigatório, ter a certificação CFP. Contudo, abaixo seguem valiosas informações para a escolha desse profissional.

Qual o perfil deste gestor?

– Existem gestores mais conservadores e mais agressivos. Cada um deles vai atender a uma necessidade ou perfil do cliente. Por isso, é muito importante a escolha de um gestor com perfil adequado às necessidades do cliente.

Que tipo de experiência profissional?

– A experiência anterior do gestor também é um fator muito importante para a determinação de sua capacidade de entrega de resultados. Um ex-executivo financeiro de grande empresa ou um trader de sucesso não são experiências que, isoladamente, credenciam um gestor de patrimônio familiar. Um gestor de patrimônio familiar deve ter uma visão global dos mercados e veículos disponíveis, tanto a nível local quanto internacional. Deve possuir experiência com montagem de carteiras que utilizam não só ativos financeiros, mas também ativos não financeiros e estruturas sofisticas que as vezes não estão disponíveis no mercado e precisam ser criadas especialmente para atender a uma necessidade específica.

Que idade e experiência: mais caro e muito experiente? Ou mais barato somente para acompanhar o trabalho terceirizado?

– O grande dilema do custo benefício é ‘o barato que às vezes sai caro’ e ‘o caro que se torna barato’ quando entrega os resultados esperados. Um gestor mais experiente tem maiores probabilidades de entregas com segurança, por isso tem um valor ou custo mais elevado. Já um gestor que vai monitorar ou acompanhar o trabalho de terceiros vai custar mais barato. Portanto, é importante saber qual o valor ou importância o cliente dá para a gestão dos seus recursos ou em que momento de vida ele se encontra.

Qual a estrutura ideal?

– O tipo de necessidade do cliente vai definir o tipo e tamanho da estrutura necessária para a gestão dos recursos. O fato de um banco possuir uma grande estrutura não representa uma garantia de entrega satisfatória. Da mesma forma, uma estrutura pequena também não representa essa garantia. Portanto, o autoconhecimento do cliente é muito importante para que ele consiga encontrar o tipo e o tamanho da estrutura mais adequada a sua necessidade.

Esta estrutura deverá cuidar somente da parte local ou também da parte internacional? E dos imóveis e outros bens da família?

– O ideal é encontrar uma instituição ou gestor que consiga atender o cliente em todas as suas necessidades da forma mais simples possível. A utilização de várias estruturas sem uma consolidação adequada talvez não transmita a transparência e entendimento necessários.

Depois de detalhar o perfil do gestor de patrimônio familiar, espero que possa ajudar no entendimento sobre a importância desse profissional e, principalmente, a necessidade de os clientes avaliarem os gestores antes da contratação.

Um grande abraço,

Juliano Pinheiro.